Fotografias por Sofia Pêga
Japão a Cru
Como estava escrito no início da
exposição, “JAPÃO A CRU permite conhecer a cultura e as tradições japonesas,
mostrando também o que a criatividade e o engenho humanos conseguem alcançar”.
Após ver toda a exposição posso confirmar esta afirmação. Num cenário cru e
simples, no MUDE, pude ver peças de vestuário, utensílios, brinquedos, móveis e
ferramentas produzidos por camponeses e pescadores humildes, com poucos
recursos financeiros.
Sem medo de mostrar as costuras,
o vestuário era todo feito de vários tecidos bastantes grossos que tinham sido
unidos. Boro, o farrapo. Foi-me transmitida uma mensagem que estava intrínseca àqueles
objectos: a reutilização, reciclagem e transformação que leva ao trabalho artístico
e que, por outro lado, pode ser útil. Por outro lado, a analogia que fazem
destes têxteis aos dias de hoje, embora tenham sido descobertos nos últimos
vinte anos e sejam pouco conhecidos no design,
nomeadamente no design de moda. De um ponto de vista histórico, São comparadas
as sobreposições e junções de pedaços de tecido à efemeridade do tempo,
constituído por diferentes “camadas de história” algumas que são visíveis e
outras que estão escondidas ou parcialmente ocultas.
Os objectos em alumínio não
podiam ser mais simples, no entanto, era notável a delicadeza com que foram
produzidos e a preocupação pela apreciação da essência das coisas. Achei
especialmente interessante o secador, que também se assemelha aos que usamos
hoje em dia e os inúmeros bules com várias formas e feitios suspensos.
Foi, portanto, uma exposição que
me fez recordar a Fase 2 do projecto “O Sabor da Laranja” - a criação do
compêndio - devido a todo o trabalho manual que envolve.
Fotografias por Sofia Pêga
Estudos de Impressão para o Compêndio
O primeiro método que experimentei para fazer a impressão do meu compêndio foi o seguinte: utilizei acetato no qual a tinta não adere e imprimi o que queria, mas de forma invertida. A tinta, como não aderia ao acetato, ficava líquida, com o texto, ilustrações e/ou fotografias prontos a serem estampados numa folha. Obtive resultados bastante interessantes. As letras maiores, nomeadamente as dos títulos, e as ilustrações menos detalhadas resultaram muito bem, sem dúvida. A única fotografia que experimentei estampar ficou manchada e pigmentada mas gostei do resultado também. Fiz também um modelo do primeiro caderno e foi aí que me deparei com o verdadeiro problema deste processo: o facto das letras mais pequenas não ficarem muito legíveis. Portanto, optei pelo método do transfer com a terebentina, que será o que vou usar no compêndio final.
Fotografias por Sofia Pêga
Organização do Compêndio
O primeiro passo para a criação do compêndio, após toda a pesquisa realizada, foi a organização esquemática e estruturada no que constaria em cada página do livro. Percebi que com toda a informação que queria incluir no compêndio necessitava de 5 cadernos de 8 páginas, em vez de apenas 4 cadernos. Fiz uma organização por página a página e depois a organização do caderno para me orientar mais facilmente aquando da impressão.
Fotografias por Sofia Pêga
Honey, I rearranged the colletion
Esta é, sem dúvida, uma exposição
praticamente impossível de ver de uma vez só. São tantos cartazes que torna-se
muito difícil dar atenção a cada um deles sem ter vontade de lá voltar outra
vez.
O primeiro cartaz que vi foi o
que deu nome à exposição – Honey, I
rearranged the colletion – que estava sozinho numa parede grande branca,
penso eu, para fugir ao excesso de cartazes das galerias e ficar, de certa
forma, realçado e para ser observado sem qualquer distracção em seu redor.
A visita guiada foi feita pela Professora Sofia Gonçalves, que optou por começar pela parte final da exposição
para que não tendêssemos a fazer o habitual: desvalorizar os cartazes da
segunda parte, talvez pelo cansaço causado pela observação de tantos
cartazes anteriormente.
A primeira parte da visita foi
centralizada em Lawrence Weiner. Houve uma preocupação de nos traduzir alguns
dos cartazes, visto que muitos deles estavam carregados de texto. Uma das
frases que, inicialmente, me chamou à atenção foi “Quando vejo um cartaz e
quero lê-lo, é porque é um bom cartaz”, que aborda o carácter apelativo que
um cartaz pode ter. Lawrence admite também que o cartaz é um espaço de
intervenção artística, para além de um objecto informativo, afirmando que “o
cartaz é um palco para a apresentação do trabalho do artista”.
Outro cartaz que chamou à atenção
de todos e foi explicado bastante pormenorizadamente na visita foi um cartaz
alto e estreito, castanho com letras douradas, cheio de texto. O texto estava
dividido em três partes: uma primeira, com citações de Shakespeare com a
palavra “ouro”, em inglês; uma segunda parte em alemão; e, por último, outra
parte em inglês.
A segunda parte da exposição
englobava cartazes mais modernos e, diria até, abstractos e cheios de
ilustrações interessantes.
Foi muito útil para mim ver as
diferentes formas como usaram a tipografia e a adaptaram aos cartazes, ao longo
dos anos, de forma a torná-lo um objecto único. As colunas, as inclinações, os
cortes, as repetições, as grelhas, os contrastes, as cores e até a própria
assinatura do autor no cartaz. Cada pormenor pedia que fosse explorado não só
naquele dia.
Fotografias por Sofia Pêga
Laranjas em Pompeia
Mosaico que retrata uma festa com máscaras folhas e frutos, um deles a laranja. Pompeia, data desconhecida. Actualmente, encontra-se no Museo Archeologico Nazionale em Nápoles.
Pesquisa | Tipografia
Garamond refere-se aos tipos de letra criados por Claude Garamond (editor francês) aproximadamente em 1530. Actualmente, várias famílias tipográficas são derivadas e inspiradas neste tipo de letra, tais como: Adobe Garamond Pro, Adobe Garamond Premier Pro, Stempel Garamond, Simoncini Garamond, ITC Garamond e URW Garamond. A Garamond e a Times New Roman são os tipos de letra serifada mais populares do mundo (sendo o tipo serifado mais utilizado na França, o seu país de origem).
Após comparar e analisar os tipos de letra de Instruction pour les jardins fruitiers et potagers, conclui que a fonte tipográfica que mais se aproxima da usada no livro foi a Kis BT, apesar de haver outras fontes derivadas da Garamond que também se aproximam muito.
Em algumas partes do livro, nomeadamente na dedicatória e no texto que aperece em itálico, o tipo de letra que encontrei que mais se aproximava foi a IM FELL Great Primer, ainda que, como podem ver abaixo, haja algumas diferenças notáveis, principalmente no "T".
Para ver mais comparações feitas carregar [aqui].
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